Bons Advogados Cobram Consulta

Não é comum encontrar pessoas que reclamem ou questionem a ideia de pagar a consulta do médico, psicólogo, nutricionista ou de qualquer outro profissional liberal. O cenário muda quando se fala de advogados. No entanto, não existe o menor fundamento para isto, e discorreremos sobre.

A análise de uma demanda trazida por um cliente deve ser considerada trabalho, que pode ou não desencadear em uma ação judicial ou procedimentos de natureza administrativa. E é para isto que existem os serviços de consultoria.

No entanto, há um grande erro de avaliação sobre os serviços típicos de um advogado, mesmo entre os profissionais. Parece que muitos não possuem a verdadeira noção de seus diversos papéis, pensando que, resumidamente, advocacia significa administração e gerenciamento de processos judiciais, não raro, em demandas de natureza indenizatória. Advocacia não é só isso!

Dentro deste pensamento limitado, imagina-se que qualquer coisa fora de ajuizamento de ações judiciais não seja trabalho. Sim, é trabalho e todos precisam se conscientizar.

Não existe “tirar só uma dúvida”. O que permite ao advogado resolver questões jurídicas é o conhecimento acumulado em cinco anos de faculdade, e em diversas especializações, cursos e estudos individuais. E o primeiro a ter consciência disto é o profissional da advocacia. Se este não o fizer, nenhum cliente o fará.

O advogado deve ser um facilitador do Direito, mas isto tem um preço. Analisar documentos, fatos, construir raciocínio, avaliar possibilidades e riscos e informar ao cliente se há ou não algum direito em favor ou desfavor do cliente, tudo isso requer tempo a ser investido (e em algumas situações, dinheiro) e pesquisas. Como exigir isto gratuitamente?

Advogados não vendem produtos. Apresentam soluções através de orientações ao cliente sobre o que fazer ou deixar de fazer para conseguir isto. Como dito acima, nem tudo na vida necessariamente terminará em discussão judicial. Por vezes será recomendado ao cliente que nada faça ou aguarde algo. E esta análise – remunerada – cabe ao advogado.

A não cobrança de consulta até pode se justificar, por exemplo, se houver contratação de outros serviços posteriormente (o valor pode ser abatido), em caso de contratos de êxito (lembrando que nem sempre esta modalidade é possível ou aconselhável), ou qualquer outra política de relacionamento com o cliente que não implique em aviltamento de honorários ou da dignidade da profissão. Mas ainda assim, são medidas excepcionais.

O pensamento de evitar cobranças de consulta, ou mesmo de valores que sejam justos em quaisquer serviços advocatícios faz uma diferenciação entre dois perfis: pessoas que procuram qualidade e pessoas que procuram baixo preço.

Abaixar o nível para atrair clientes que procurem preços baixos não é garantia de sucesso. Aliás, é quase garantia de fracasso, ainda que em longo prazo. Se o advogado usa a estratégia de cobrar preços baixos para “vencer” a concorrência, trabalhará mais, terá mais despesas, menos qualidade de vida e será trocado por outro que cobrirá a oferta, cedo ou tarde, pois a experiência diz que pessoas atraídas por preços baixos não costumam se fidelizar.

É importante lembrar: quem é atraído prioritariamente por baixos custos não dará importância a qualidade, confiança ou honestidade de seu trabalho.

O profissional da advocacia deve internalizar este pensamento e não aceitar menos do que merece para não entregar ao cliente menos do que ele precisa. Isto diferencia advogados que se tornam bem-sucedidos e por consequência prestam serviços de maior qualidade, gostando do que fazem, daqueles que passam a vida a reclamar da profissão e dos ganhos.

Ademais, o conhecimento popular diz que “o barato pode sair caro”. Um advogado que oferece o baixo preço como cartão de visitas pode não ter nada melhor a oferecer. Assim, deve ser pensado pelo cliente se é válido confiar algo a quem só possui baixos preços como referência.

Por isto, entendemos que o bom advogado é aquele que deixa claro ao cliente que todos os serviços que oferece, aí incluindo a consultoria, devem ser remunerados.

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